ABSTINÊNCIA DE COERÊNCIA: O DISCURSO POR TRÁS DA CAMPANHA “TUDO TEM SEU TEMPO” DO GOVERNO FEDERAL
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O discurso é um objeto de transformação que está inserido na sociedade e
é capaz de agir como modelador de comportamentos e ações. Dessa forma, entender
que o Poder tem suas linhas de aplicação por intermédio do discurso se torna
fundamental para analisar a construção do mesmo e sua interação em uma teia
discursiva, entre indivíduos e instituições, e portanto, torna-se possível identificar uma
perpetuação de certas mensagens e comportamentos, os quais corroboram e
sustentam elementos constitutivos de poder. O objetivo dessa pesquisa é
compreender de que forma a interdição discursiva se manifesta no objeto de estudo
definido, sendo este, a campanha publicitária do Governo Federal para estimular a
redução da gravidez precoce: “Tudo tem seu tempo: Adolescência primeiro, gravidez
depois”. A campanha promove a abstinência sexual e a postergação do início da vida
sexual como métodos contraceptivos, entretanto, estes são reconhecidamente falhos
pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Ao averiguar o discurso por trás da
campanha e compreende-lo nas suas linhas de formação, utiliza-se uma interpretação
fundamentada nas teorias do filósofo francês Michel Foucault (2014), pautando o
conceito de discurso, mapeando seus procedimentos e delimitando os elementos
constitutivos de poder, permitindo, então, o balizamento acerca das relações entre
poder, saber e violência. Por meio da conciliação do discurso presente na hashtag da
campanha, com o título e a composição visual, é possível identificar a perpetuação de
um discurso que normaliza problemas sociais e estruturais como o racismo e o
abandono paterno, além de culpabilizar a mulher. Portanto, utiliza-se de uma política
ineficaz que gera desconhecimento e, consequentemente, corrobora com o que tenta
evitar.
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Artigo de curso